O VERDADEIRO RECONHECIMENTO

O VERDADEIRO RECONHECIMENTO

Todo ser humano, precisa de atenção dentro da sua comunidade, entre seus amigos, na sua escola, família ou empresa. Todos nós precisamos de reconhecimento.

Nos sentimos realizados quando somos chamados pelo nome, quando sorriem para nós e quando se dirigem em nossa direção, com a clara intenção de receber a nossa atenção…

Somos incentivados a conhecer pessoas, nos enturmar e ao mesmo tempo… A competir. Seja na escola, em casa, no trabalho, no esporte… Na vida…

Essa é a atual tônica do nosso modus vivendi…

Então, muitas vezes acabamos buscando o reconhecimento através da disputa por fama, dinheiro, status, poder, espaço…

Querem por que querem que queiramos ser o melhor. O primeiro. O principal…

E nós acabamos como os pombos nas aulas de Skinner: condicionados a fazer o que não queremos, para obter aquilo que somos levados a crer que queremos.

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Estaríamos nós, vivendo em estado de condicionamento operante? Estamos apenas escolhendo entre opções preestabelecidas e sendo recompensados quando escolhemos o que querem que seja escolhido?

Quero mais poder.
Mais dinheiro.
Mais dígitos na conta.
Mais metros quadrados.
Mais posses…

Pra quê?

Tudo para ser reconhecido entre “os nossos“.

Igor Kannário, escreveu e cantou:

(…) Não brinque com a mente
e cole com a gente
Que aqui a chapa é quente

É tudo nosso, nada deles,
nada deles, tudo nosso
É tudo nosso, é nada deles (…)

(Trecho da música o Tudo Nosso. Nada deles)

Há uma clara separação, alardeada e reforçada pelos meios de comunicação, entre “nós” e “eles“…

Entre clubes de futebol.
Entre judeus e palestinos.
Pretos e brancos.
Machistas e viados.
Bregas e chiques.
Nordestinos e babacas.
Racistas e humanos.
Amigos e vizinhos.
Coxinhas e mortadelas.
Arrebatados e mundanos…

Escolhemos um time para torcer, um grupo para pertencer, alguém pra formar nossa própria família…

E isso acaba nos separando do próximo, do outro… Dos outros…

Quando listamos diferenças e classificamos pessoas como leite, tipo A, B ou C, estamos nos condicionando a direcionar o merecimento de nossa atenção e consideração a determinados grupos de pessoas, com as quais “eu me identifico“.

E então, deixamos o nosso desprezo, a nossa ausência, para todos os outros que não são “nossos“…

O que esse tipo de comportamento nos traz de benefícios?
E de consequências desagradáveis?
Pra que lado pende essa balança em nosso coração?

O ALTRUÍSMO COMO CARACTERÍSTICA BIOLÓGICA E UNIVERSAL

Uma experiência feita com bebês com pouco mais de um ano, no Instituto Max Planck, em Leipzig, na Alemanha, mostrou que o altruísmo em nós, precede conceitos culturais.

Crianças em idade pré-escolar, demonstravam empatia com bonequinhos simpáticos e, em atitudes altruístas, ajudavam pesquisadores em diversas situações:

Pegando uma caneta que caia (deliberadamente e com o intuito de analisar a reação das crianças) da mão do pesquisador que estava desenhando sentado.

Pegando uma pregador que caia da mão do pesquisador e era, prontamente, pego pela criança e entregue nas mãos dele.

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Em um outro experimento, no laboratório de bebês, na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, foi utilizado um cenário de teatrinho infantil, realizada com marionetes.

Aos bebês, eram aprsentados dois cachorrinhos (marionetes) com roupas de cores diferentes (uma azul, outra amarela) que ajudavam ou atrapalhavam um terceiro cachorrinho, que, por sua vez, tentava abrir uma caixa.

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Os bebês reagiam com caras e bocas e demosntravam empatia muito maior com o cachorrinho “do bem“.

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Em 80% dos casos em que foram oferecidos um dos dois cachorrinhos da peça para os bebês segurarem, os pequeninos escolhiam pegar o cachorrinho “do bem“.

Crianças ainda menores, macacos e até animais menos inteligentes, como camundongos, foram cobaias de experimentos semelhantes e trouxeram os mesmos índices comprobatórios: Temos uma altíssima inclinação ao altruísmo.

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É TUDO ALTRUÍSMO NOSSO, NADA DELES

A exceção se faz quando estamos diante de “semelhantes” a nós.

Em situações em que precisamos optar entre alguém do nosso grupo e alguém de outro grupo, optamos por nos colocar ao lado “dos nossos“.

Esse caso pode ser ilustrado adicionando uma etapa à pesquisa descrita anteriormente.

Antes de ir pro palco, ajudar ou atrapalhar o outro bichinho, um dos cachorrinhos escolhe o mesmo tipo de cereal que havia sido escolhido pelo bebê, minutos antes…

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A partir daí, mesmo após cometer um ato de maldade, o cachorrinho era escolhido por uma percentagem substancialmemte maior de bebês.

Nesse caso, a bondade do cachorrinho fez menos diferença na hora da escolha. O que foi mais determinante foi a sensação de escolher cachorrinhos quem tinham preferências iguais e preterir quem fazia escolhas diferentes.

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Tudo Nosso, Nada deles“, lembram?

A EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA

Retomando os questionamentos: Quando listamos diferenças e classificamos pessoas como leite, tipo A, B ou C, estamos nos condicionando a direcionar o merecimento de nossa atenção e consideração a determinados grupos de pessoas, com as quais “eu me identifico“.

E então, deixamos o nosso desprezo, a nossa ausência, para todos os outros que não são “nossos“…

O QUE ESSE TIPO DE COMPORTAMENTO NOS TRAZ DE BENEFÍCIOS?

A principio, nos sentimos bem.

Qual o problema em ser o queridinho da mamãe?
O melhor aluno da classe?
O que tem a melhor casa da rua?
O mais poderoso do Congresso?

O importante é ser aceito por quem eu me identifico, por quem eu enxergo…

Mesmo que meu irmão se sinta deprimido com a preferência de sua mãe?
Mesmo que tenha colegas seu sofrendo bullying?
Mesmo que o dinheiro seja ilícito e vá prejudicar muitas pessoas?
Mesmo que custe o empobrecimento de uma nação?

Enquanto não começamos a ter consciência do problema, ele não existe e, portanto, nenhuma solução estará a caminho.

Somente quando começamos a questionar as situações, a nos questionar.
Quando começamos a escutar mais e falar menos.
Quando começamos a silenciar a mente, respirar melhor, meditar.
Quando começamos a dar olhos, ouvidos e até presença, à questões que antes nem tínhamos ideia que existiam, como:

o)) A situação econômica dos outros que não os nossos;
o)) A falta de paz de outros que não meus amigos;
o)) A falta de alimento de tantos, que não meus familiares,
o)) O abandono de tantos animais, que não os meus…

Começamos a entender, a perceber, a expandir a nossa Consciência para além dos nossos. Também para eles…

Até podermos expandir o nosso círculo moral a tal ponto que não mais tenhamos a capacidade de distinguir um do outro. E não mais sabemos pra quem deveríamos “não sorrir“…

E nosso ser escolhe passar a sorrir para todos, sem distinção, pois, verdadeiramente, distinção é algo que já não pode mais ser enxergada por nós, e portanto, essa diferenciação já não mais existe.

Muitos estudos apontam que a mudança pessoal é plenamente possível através da meditação.

Seria possível uma mudança na sociedade através do mesmo método?

Meditar seria um caminho a ser trilhado?

O Neurocientista Richard Davidson, distinguido em 2006 pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, ao se reunir com um dos maiores líderes espirituais do planeta, ouviu do Dalai Lama: “Você usou ferramentas da Neurociência moderna para estudar a depressão, a ansiedade e o medo… Porque não usar essas ferramentas pra estudar a bondade e a compaixão?

O neurocientista americano descobriu que os especialistas na prática de meditação (mais de 10 mil horas) eram verdadeiros “cientistas da própria mente“, pois, eles estudavam a própria mente, usando a prática contemplativa como microscópio.

A intensidade das ondas gama era, visivelmente maiores quando a meditação era iniciada… A descoberta mostrou que a atividade mental pode induzir mudanças estruturais e funcionais no cérebro.

Davidson e sua equipe aprimoraram os resultados, estudando pessoas que nunca haviam meditado anteriormente e as treinaram para fazê-lo. Em apenas duas semanas, com apenas 30 minutos de prática por dia, foi comprovado que apenas 7 horas de meditação era suficiente pra mudar o cérebro…

O cérebro adulto é um órgão plástico e produz milhares de neurônios por dia, segundo as experiências vividas.

Quando assistimos uma hora de TV ou jogamos uma.hora e meia de vídeo game, já ocorrem mudanças no cérebro…

Atividades puramente mentais podem mudar o cérebro, logo: “Mude sua mente, mude o mundo“.

Devemos praticar a cooperação e a gratidão. Quanto mais praticamos, mais nos tornamos bons nisso. E mais espalhamos esse aprendizado…

E (O QUE ESSE TIPO DE COMPORTAMENTO NOS TRAZ) DE CONSEQUÊNCIAS DESAGRADÁVEIS?

Quando escolhemos uns poucos, abrimos mãos de todos os outros.

O, então, padre Jorge Mario Bergoglio, que viria a ser o futuro Papa Francisco, certa feita, em um jantar de comemoração com seus pais e parentes, quando ficou na Argentina ao invés de viajar para o Japão, ouviu de sua mãe: “Que seja feliz com a vida que escolheu, filho querido. E com que o seu coração te pedir. Que vá para onde as pessoas mais te amem“.

Ao que ele respondeu: “Que é ao lado da minha família. QUE É A HUMANIDADE TODA.

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Quanto mais restringimos as nossas “preferências“, quanto mais dividimos nossa atenção entre pequenos grupos e guetos, quanto mais escolhemos um ser humano em detrimento de outro, mais restringimos nossa capacidade de amar incondicionalmente.

Mesmo no meio à escuridão, pode haver luz. Deve haver luz. Há luz… Somos luz…

Como disse o guru indiano, Sri Sri Ravi Shankar:

Quando você está de frente para a luz, não vê sua sombra.
Somente quando você se afasta da luz é que vê a sua sombra.
O mal é apenas a sombra, e uma sombra não tem uma existência própria.
Se você olhar para dentro de cada culpado, há uma vítima chorando por ajuda.
Se você curar a vítima, o culpado vai desaparecer.

É PRECISO CORAGEM PARA ESCOLHER AMAR INCONDICIONALMENTE.

Todos podem amar incondicionalmente, mas ninguém consegue sem fazer essa escolha. Sem se deixar ser escolhido por essa escolha…

O amor ao próximo consegue unir o discurso e a prática de Jesus e Buda, Chico Xavier e o Papa Francisco, ateus e cristãos, índios e muçulmanos…

Na verdade, o amor consegue dissipar a separação, pois, na essência, somos uma só energia. Somos todos um…

Quando olhamos o mundo como sendo “parte nossa” e “parte deles“, há uma cisão, uma quebra… Parte isso, parte aquilo… Corações partidos…

São mais que desagradáveis as consequências… São inviáveis para a humanidade…

PRA QUE LADO PENDE ESSA BALANÇA EM NOSSO CORAÇÃO?

Todo mundo pode se tornar um bombeiro. Mas nem um outro bombeiro pode se tornar EU…

Todo mundo pode se tornar qualquer profissional. Mas nenhum profissional pode se tornar EU…

Então porque buscamos pertencer a um clube, uma classe, uma torcida e a querer se destacar nesse universo?

Quando olhamos apenas uns poucos, os (3%)* escolhidos, como um de nós, podemos sentir empatia por eles e deixar o altruísmo fazer a diferença na vida deles. Mas também, estaremos deixando todos os outros (97%)* de fora.

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Quando olhamos TODOS OS OUTROS como se um de nós fosse, podemos sentir empatia por cada um deles e deixar o altruísmo fazer a diferença na vida da humanidade.

E sendo todos nós iguais, posso me voltar para dentro de mim. Posso elevar a minha consciência com o objetivo de melhorar enquanto ser, sem preocupação em ser melhor do que ninguém e sim, com a tranquilidade de melhorar, a cada dia e sempre, enquanto ser humano.

Com isso, deixamos transbordar essa abundância na vida do outro, nas ruas, nas empresas, nas famílias, na vida…

Quando tomamos consciência que somos todos (igual e diferentemente) especiais, não precisamos “nos tornar” nada.

Apenas podemos nos deixar ser…

Sem neuras, sem culpas, sem cobranças, sem obrigações, avaliações ou julgamentos…

A grande maravilha do mundo é termos a possibilidade de escolher viver a leveza de ser quem somos.

E a grande maravilha está em seguir a nossa jornada de descobertas sobre nosso próprio eu, está em ser quem somos…

Porque, se precisamos de reconhecimento, é isso que nos torna exclusivos enquanto indivíduos (e, ao mesmo tempo, é o que nos torna iguais nessa possibilidade de sermos tão únicos quanto cada um dos habitantes desse planeta).

Quanto mais eu melhoro, mais o outro melhora comigo e por minha causa. Assim como, quanto mais o outro evolui, mais eu melhoro com ele e por causa dele…

Se hoje você almeja mais reconhecimento, dos outros, em sua vida, o foco deve estar em melhorar em todos os aspectos que você puder, o quanto você puder. Todos os dias. Sempre…

E quanto mais você for melhorando, um outro reconhecimento vai começar a importar muito mais pra você…

Você vai começar a se reconhecer nessa nova pessoa e vai respirar melhor, sorrir mais, e vai transbordar esse novo eu por todos os lugares em que você estiver, fazendo a diferença no mundo…

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